Capitalistas e Ladrões – O elo mascarado

Os capitalistas, com mentiras e calúnias, conseguem, com certeza, afastar dos anarquistas, muitos daqueles que estariam mais próximos se soubessem de suas verdadeiras intenções.
Um dos pontos fundamentais do anarquismo é a abolição do monopólio da terra e da propriedade.
Os proprietários, roubaram do povo, pela fraude e pela violência, a terra e todos os meios de produção, e como conseqüência deste roubo inicial podem subtrair dos trabalhadores, a cada dia, o produto do seu trabalho. Estes ladrões afortunados tornaram-se fortes e fizeram leis para se protegerem, legitimando sua situação. Não satisfeitos, organizaram todo um sistema de repressão para se defenderem daqueles que quiserem fazer o mesmo que eles já fizeram outrora, ou seja, substituí-los. E agora, o roubo desses senhores chama-se propriedade, comércio, indústria, etc…, o nome de ladrões é reservado àqueles que gostariam de seguir o exemplo dos capitalistas mas que, tendo chegado muito tarde e em circunstâncias desfavoráveis, só podem faze-lo contra a lei. A diferença dos nomes empregados ordinariamente não basta para apagar a identidade moral e social das duas situações.
CAPITALISTAS = ladrão bem sucedido que deve seu mérito a si ou a seus ascendentes.
LADRÃO = aspirante a capitalista que só espera oportunidade para sê-lo.
Inimigos dos capitalistas, os anarquistas não podem ter simpatia pelo ladrão que visa tornar-se capitalista.
Aquele que quer roubar para viver como um parasita do trabalho alheio é bem diferente do caso daquele que rouba para não morrer de fome e dar comida a seus filhos. Neste caso, o “roubo”, se é que podemos denominá-lo assim, é uma revolta contra a injustiça social, e pode tornar-se o mais imperioso dos deveres!
Com certeza, o ladrão profissional é, ele também, uma vítima do meio social. Colocados na alternativa de serem explorados ou exploradores, preferem ser exploradores e encarregam-se de consegui-lo pelos meios que são capazes.
Estas circunstâncias atenuantes podem também se aplicar aos capitalistas, e esta é a melhor prova de identidade das duas condições.
As idéias anarquistas não podem, em conseqüência, levar os indivíduos se tornarem capitalistas assim como não pode leva-los a serem ladrões. Ao contrário, dando aos descontentes uma idéia de vida superior e esperança de emancipação coletiva, elas os desviam, na medida do possível, tendo em vista o meio atual, de todas essas ações legais ou ilegais, que representam apenas adaptação ao sistema capitalista, e tendem a perpetuá-lo.
O meio social é muito poderoso e os temperamentos pessoais bem diferentes. Infelizmente pode existir entre os anarquistas, alguns que se tornaram ladrões, como há os que se tornaram comerciantes ou industriais, mas nesse caso, agem assim, não por serem anarquistas, mas a despeito de suas idéias e ideais.
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