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O que é capitalismo?

Submitted by on 6 de março de 2009 – 0:194 Comentários

O conceito de capitalismo pode ser definido como sistema onde o excedente da riqueza e meios de produção produzidos pela sociedade são monopolizados exclusivamente por aqueles que já dispõem do capital e dos meios de produção.

O monopólio do excedente da riqueza e dos meios de produção é o que assegura aos seus proprietários o domínio sobre as classes não proprietárias desses bens. João Pedro Stédile, muito bem demonstra a contradição insuperável: “Os bens são produzidos pela maioria (os que vivem do trabalho), mas a sua apropriação é feita por uma minoria (os capitalistas). Daí que a sociedade produz cada vez mais pobres e menos ricos, porém milionários.”

O mais paradoxal é que o sistema capitalista induz os trabalhadores a depositar seu dinheiro em bancos ou fundos, mas estes jamais os financiam quando querem iniciar algum empreendimento próprio!

O crédito disponibilizado pelos bancos, quando é direcionado aos trabalhadores, é para tão somente adquirir bens de consumo. Raramente é em quantidade suficiente para iniciar um empreendimento, adquirir propriedade que possa produzir ou adquirir um bem de produção.

Uma das formas simplificadas de fuga desse sistema, no caso do não acesso ao capital e aos bens de produção, é o plantio nas terras, pois o capital necessário não é muito, e os caros bens de produção não são estritamente necessários para a atividade agrária, entretanto, a propriedade rural também está concentrada em poder dos grandes latifundiários.

Alguma coisa está errada, pois não pode uma massa de contingente humano, ficar ou sem bens de produção, ou sem propriedade agrária, ou sem acesso ao capital excedente para financiar algum empreendimento.

Na forma que atualmente se encontra o capitalismo, o rol de soluções parece ser ínfimo, e como bem disse Paul Singer em seu texto A Propriedade em Questão:

Dinheiro - O Libertário“a sociedade se polariza entre um pólo absurdamente rico, formado por herdeiros de fortunas, altos executivos de empresas transnacionais, artistas e esportistas de sucesso, etc. e um pólo miserável, formado por excluídos [outsiders] da atividade econômica pelo desemprego crônico, pela idade ou por doenças e outras causas de invalidez.”

No meio desses pólos, sendo que o pólo miserável é de natureza gravitacional, “se move a maioria das pessoas, tangidas pela ambição de ascender à riqueza e à fama e/ou pelo medo pânico de cair na pobreza”.

É aí que estamos quase todos nós: entre a ambição da riqueza e o pânico da pobreza e suscetíveis as oscilações da “mão invisível”, como citou Frei Betto e a “mão direita do Estado”, como citou Pierre Bourdieu.

O que atualmente se discute é que hoje o capitalismo está direcionando a destruição de si próprio, tendo em vista o formato adotado, o capitalismo tem se revelado insustentável socialmente (homicida) e ambientalmente (ecocida). O “combustível” do capitalismo é o trabalho de outrem (mais-valia), só que este é composto de pessoas que tendem a se esclarecer, cedo ou tarde, sobre sua vitimização dentro do sistema. O resultado do auto-esclarecimento é, no mínimo, o robustecimento dos sindicatos e as eventuais lutas por direitos e greves.

Haverá um dia que a quantidade de pessoas, ao mesmo tempo inconformadas com a própria situação e a situação da sociedade em geral, será tão grande que bastará uma fagulha para que todo este “castelo de cartas” seja arruinado pelas próprias escolhas de seus “reis” e de suas “tábuas”.

O sistema capitalista parece um homem faminto que tem um pomar: no início planta as sementes, e come os frutos. Os frutos acabam, e sua fome faz então comer a árvore enquanto espera que as sementes se tornem árvores e frutifiquem. Por fim, sua fome o faz roer os brotos e o homem morre por não ter mais o que comer nem plantar.

A solução para a manutenção desse sistema e de forma menos traumática ou radical, se é que existe solução, mas pode ser tentada é: a) reforma agrária para a redistribuição da propriedade; b) socialização do acesso ao capital excedente para possibilitar que empreendimentos possam ser iniciados e que bens de produção possam ser comprados.

Do contrário, o último remédio será o que pode se chamar de reforma, ou a tão esperada e sonhada rápida evolução.

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Este artigo foi visualizado 4453 vezes 6 de março de 2009 – 0:19.

4 Comentários »

  • Inconformado disse:

    Balela marxista

  • Vladimir disse:

    Concordo com o texto acima. Mas para chegarmos até esse dia em que o capitalismo será extinguido, haverá muita luta.

    Os capitalistas ainda lograrão, infelizmente, algumas vitórias. Posso citar : a destruição do emprego formal. Não é atoa que os trabalhadores têm medo da miséria, como foi dito. Há uma verdadeira e real escravidão branca. O sistema atual está produzindo a cada dia pessoas mais intolerantes, individualistas. Tornando as pessoas alienadas, segregadas, valorizando apenas o ter, fazendo a vida sem sentido. Vejam que a depressão está galgando a cada dia mais degraus na escala de doenças. Tudo isso é uma vida sem sentido a qual estamos submetidos. A mudança começará pela educação. Este é o caminho para o futuro que precisamos e desejamos.

  • Nehemias Jr. disse:

    concordo Vladimir. A melhor forma para a revolução começar é pela educação, ou seja, a mudança no pensamento das pessoas.
    Mas infelizmente, não é o interesse do Estado ter uma educação de qualidade. Pelo contrário _ Quanto mais burros melhor!!! _ Creio eu que uma mudança no pensamento da população só ocorrera quando a mesma não suportar mais sustentar o peso das classes dominantes.

  • Bernardo disse:

    A sociedade está em um beco sem saída, a mudança, as mudanças devem ser imediatas, mas com uma população tão leiga o que devemos fazer??

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