Trump presidente: Tempos de crise e guerra

Só as forças de esquerda têm condições de deter a contraofensiva reacionária que empurra o mundo para crises cada vez maiores e nos ameaça com guerras cada vez mais destrutivas.

Em 2008 a crise econômica teve como epicentro os Estados Unidos.

Hoje, a crise política mundial também tem seu epicentro lá.

A eleição de Donald Trump nas recentes eleições para a presidência dos Estados Unidos é um símbolo dos tempos em que vivemos, no cenário internacional.

Estamos vivendo um momento que se assemelha muito ao ocorrido nos anos 1930.

Naquela época, o liberalismo provocou uma imensa crise econômica, desemprego e miséria.

Para derrotar a ameaça comunista, o grande capital e a direita tradicional apostaram no populismo de direita.

Esta foi uma das causas da ascensão do fascismo na Itália, do franquismo na Espanha, do nazismo na Alemanha.

O resultado disto foi a Segunda Guerra Mundial.

Uma prova adicional de que podemos ter um desfecho parecido nos dias de hoje é o fato de que a oponente de Trump, a candidata “democrata” Hillary Clinton, era a candidata de Wall Street e segue sendo defensora do intervencionismo militar dos Estados Unidos.

Talvez como nunca na história recente, tivesse sido tão necessária a existência de uma alternativa partidária e eleitoral da esquerda dos Estados Unidos.

Benny Sanders tinha mais chances de disputar o voto dos setores populares que votaram em Trump.

A verdade é esta: só as forças de esquerda, populares e democráticas têm condições de deter a contraofensiva reacionária que empurra o mundo para crises cada vez maiores e nos ameaça com guerras cada vez mais destrutivas.

Mas para isto será preciso que a classe trabalhadora e seus representantes políticos percam todas as ilusões em que será possível defender o bem-estar social, defender as liberdades democráticas, defender a soberania nacional e defender uma nova ordem mundial, sem impor uma derrota profunda às forças capitalistas e a seus representantes políticos, sem oferecer uma alternativa nova e radical para o mundo em que vivemos.

Nunca o mundo foi tão capitalista quanto é hoje. E é exatamente por isto que nunca o mundo foi tão desigual, conservador e violento.

Devemos tirar todas as consequências desta verdade simples: é preciso tirar o socialismo do armário!

A crise que o capitalismo enfrenta, desde 2008, pode ser superada de duas maneiras diferentes: ou rebaixando o nível de vida dos trabalhadores, causando catástrofes sociais e ambientais, jogando para a direita o ambiente ideológico e político, empurrando o mundo para a guerra.

Ou transformando as riquezas acumuladas nas mãos do capital financeiro em investimento público em ampliação do bem-estar e recuperação do meio-ambiente, jogando para a esquerda o ambiente ideológico e político, desmontando os arsenais militares.

Os Estados Unidos, ainda a maior potência do mundo, mas que está vendo sua hegemonia declinar, não tem como construir uma alternativa à crise que vivemos.

As forças que causam a crise e que se beneficiam dela são as mesmas que dominam o poder político, econômico, militar e ideológico nos Estados Unidos.

É por isto que as ações práticas do governo dos EUA ampliam a crise.

Lembremos que aquele país só superou a crise dos 1930 graças à Segunda Guerra Mundial. E quando a Segunda Guerra terminou, o complexo industrial-militar continuou apostando em novas guerras e na corrida armamentista.

É por isso que os Estados Unidos operam de maneira agressiva contra os BRICS, especialmente contra a China e a Rússia.

Por uma destas ironias de que a história está cheia, tanto o governo russo quanto o chinês deram vários sinais de que consideravam Hillary Clinton mais perigosa.

Mas não devemos nos iludir: a dinâmica da crise mundial é mais poderosa e tende a empurrar os EUA em direção à guerra.

Quem pode evitar este desfecho?

Em primeiro lugar, o povo dos Estados Unidos. O movimento sindical, a intelectualidade de esquerda, os setores democráticos daquele país estão chamados a agir de maneira autônoma frente aos dois grandes partidos do Capital, o Republicano e o Democrata.

Em segundo lugar, os povos das demais regiões do mundo.

Na América Latina e Caribe, desde 2008 estamos sendo vítimas de uma contraofensiva reacionária que vem derrotando os governos progressistas e de esquerda na região.

Precisamos virar o jogo e criar as condições para que a Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos, assim como a Unasul, voltem a ter protagonismo no cenário internacional, em favor da paz e de outra ordem econômica e política internacional.

Neste contexto de hegemonia capitalista, crise do capitalismo, ampliação das contradições intercapitalistas, conflito entre o bloco liderado pelos EUA contra os BRICS, instabilidade, crise e guerra, a saída está em construir um forte movimento internacional da classe trabalhadora, que consiga conquistar governos, reorientando assim a economia e a politica mundiais.

Texto de: Valter Pomar | São Paulo – 09/11/2016 – 13h21
Fonte: Opera Mundi

 

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