What a Wonderfull Supermarket

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Uma massa de gente está condicionada à relação de emprego (excluímos aqui todos aqueles desempregados ou inseridos no mercado informal, por exemplo, o camelô e as pomadas milagrosas, – esses são uma outra margem social, mas em busca de soluções de per se).

Com efeito, uma grande parte ainda crê no sistema deteriorado da configuração capitalista atual (“quem sabe o mau que se esconde no coração da propaganda ideológica? The Shadow knows”…); outros tantos, já forçando a mão, estão inseridos no mercado informal.

Este feitio de mercado engolfa a economia numa realidade pão-com-ovo-frito pro povão com CTPS. Por isso, Ladislau Dowbor já sinaliza há muito tempo a
emergência do mercado informal, o potencial deste tipo de empreendimento.

Em contrapartida, o trabalho subordinado e cotidiano (formal) é o contemplado pelo ordenamento jurídico: o conjunto de normas que o vetusto e putrefato Getúlio decidiu em sua “magnanimidade” outorgar ao trabalhador, – provavelmente por temer a insurgência histórica dos ferroviários à época ou uma nova onda anarcosindicalista daqueles belos tempos.

Façamos de conta, como bons cidadãos auriverdes que somos da Era da pós-
verdade, que tal outorga não teve relação, em seu nascedouro, com la bella Carta de Lavoro do compagno Mussolini, fica mais romântico: esta fez parte do amálgama de fontes (incluindo a Doutrina Social da Amém Igreja). Maurício Delgado Godinho explana sobre a disjunção entre o nascedouro (Estado de viés totalitário) e os desdobramentos da CLT.

Abstraindo a assistência perinatal do justrabalhismo brasileiro (repressão à ALN e o peleguismo, por exemplo), houve a imposição de direitos para que de um hiante o trabalhador se tornasse um semifodido (perdoem minha erudição).

Conquanto de origem dúbia, houve uma consequência positiva (direito posto) gerado frente ao Estado: foi dado, pois, acesso ao coitado trabalhador de provocar demandas judiciais, obter tutelas específicas e passou a ser entendido como jurisdicionado.

Assim foi garantido formalmente (na base do conta-gotas) o poder ao cidadão-labutador (coitado) de acionar o salvelindo Poder Judiciário para satisfazer descumprimentos do direito imposto frente à recalcitrância de empregadores. Pelo menos era assim antes do Presidente Pirulito e seu projeto de escalavrar de vez os peões.

Na onda com Boaventura de Souza Santos, o sistema de mediação do Estado
capitalista é um subversor do conflito real, concreto do infeliz, que passa a conflito processado, onde palavras se transmutam em verborragia jurídica a ponto de tornar a necessidade algo superficial, e isso se projeta à solução do conflito que é ir ao templo moderno e gritar: “What a Wonderfull Supermarket”!